Kratos Paizão, barbudo e no Norte e meu revigadorado entusiamo pelo “bom de guerra”

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Quem nunca ouvi, enquanto esperava aquele DVD piratão de PS2 gravar na sua favorita loja de jogos um tanto quanto fora da lei, a “Me vê um Deus da Guerra” ou até “Eu quero jogar ai o Bom de Guerra”? É confusão fácil de se explicar pela pequena diferença entre a palavra Deus(God) e Bom(Good) em inglês. O que me leva ao ponto de nunca entender muito bem por que pessoas traduziam nome de jogos e quais os parâmetros para tais. Tá que Super Mario Brothers era só Mario, The Legend of Zelda só Zelda e Sonic The Hedgehog só Aquele Jogo Ruim do Bicho Azul, mas Star Fox era Star Fox e não Raposa Estelar… Eu acho, pelo menos eu nunca ouvi ninguém falando assim. Mas eu gostaria de entender mais ainda o porquê de Medal of Honor ser a série de jogos mais propensa a ser traduzida. Eu conheço um bom número de pessoas que chama a série como Medalha de Honra e nunca entendi exatamente o motivo desses jogos em especifico terem seu nome traduzido mais que o resto.

Mas convenções de nomes são estranhas, tipo James Potter virar Thiago Potter no Brasil. Ou a eterna discussão de como pronunciar Kratos: Creitos como é dito no jogo gravado em inglês ou Cratus como é a forma mais abrasileirada de ler -e não me vem com essa desculpa de que você fala assim porque ele é grego, meu medidor de bullshit vai à loucura quando usam esse argumento. Independente de você falar o nome dele certo ou não, ele está de volta para mais um jogo, não God of War 4 ou God of War IV ou God of War: Nordic, só God of War. O jogo foi anunciado dia 13 de Junho de 2016 na conferência da Sony na E3 – Eletronic Entreteniment Expo, a maior convenção de vídeo jogos eletrônicos do mundo por enquanto.

Mas antes de falar de God of War, acho que eu preciso voltar para 2005 e… God of War(O Primeiro de Seu Nome, Nascido da Tormenta e o caralho a quatro). God of War foi um jogo claramente feito pensado em se fechar em si só, tanto que é possível ver como o design dos deuses mudam ao longo da franquia. Kratos é basicamente Heracles, mas mais violento. Por causa da ira de um Deus do Olimpo, ele matou sua família, culpa, yada yada a mesma coisa de sempre, mas ao invés de ir atrás de 12 trabalhos para se redimir, Kratos decidi matar… absolutamente tudo… Sério, tudo, mas mais especialmente Ares, o Deus da Guerra. Era uma história boba e simples e servia ao propósito que veio.

O jogo foi um puta sucesso e dai vieram mais cinco jogos espalhados pelo PS2, PSP, PS3 e PS4. Eu gosto de pensar que assim como a Nintendo tem o Mario, a Sega tinha o Sonic e a Microsoft tem a falta de carisma, a Sony tem um personagem símbolo para cada console. Crash no PSOne, Kratos no PS2 e Nathan Drake no PS3 – o que é preocupante porque já estamos indo para o terceiro ano de vida do PS4 e não acho que nada que a Sony fez até agora seja esse símbolo, talvez a Aloy de Horizon Zero Dawn seja, ou o Bicho Feio que Claramente Vai Morrer em The Last Guardian.

Nos jogos subsequentes, Kratos se tornou uma grande e furiosa bola de pixels cheios de raiva e ódio e somente isso. Ele era motivado só pela vingança mais nova que a Santa Monica inventava para ele e assim os jogos seguiram em frente até matar quase que literalmente todo panteão grego de deuses. Ao mesmo tempo que unidimensional e até boboca em certas instâncias, eu acho que Kratos e a série God of War serve como uma marca no tempo da história dos video games naquela era de meio para fim do PS2 e início do PS3.

God of War como franquia e por extensão o Kratos, são basicamente a forma virtual da adolescência. A violência exagerada, a nudez desnecessária mostram vários jogos tentando ser irreverente e ~adulto e cool~. Eu me diverti em todos eles, para não ser hipócrita. God of War 3 foi minha primeira platina. Porque era isso que jogos de console eram naquela época, mecânicas para mostrar o quão bonito o gráfico do console conseguia ir e só qualquer coisa de história só para servir de pano de fundo.

Mas de 2005 para cá, a indústria mudou, jogos cresceram e amadureceram. Nathan Drake, que bem depois do Kratos, já se aposentou. A Era de Ouro dos jogos indies aconteceu, The Last of Us aconteceu, Gone Home aconteceu. Tanto que o ultimo God of War, o Ascension, foi e passou batido por muitas pessoas, assim como o Remaster de God of War 3 para o PS4. Não que eu ache que não existe mais lugar para esse tipo de jogos e Doom de 2016 está aí para provar que existe, mas o odioso espartano parecia perdido no tempo.

“God of War morreu”; “O mundo não precisa mais de God of War”; “God of War nórdico seria mó daora” dentre outras teorias do futuro da franquia foram jogadas de um canto para o outro da internet de 2013 para cá até o anuncio de God of War. Uma escolha de nome interessante, jogar fora a numeração e só usar o nome da franquia, que costuma ser usada para reboots(Doom 2016, Tomb Raider 2013, HITMAN 2016 etc), mas não é um reboot. É a continuação da história do Kratos, um jogo pós-GoW 3 que vai ter como base a mitologia viking.

E por que isso é interessante? Porque é, citando o próprio Fantasma de Esparta para o seu filho “Isso é um novo começo”. Um trailer de quase 10min em que o protagonista, que é  para mim, um dos piores seres humanos representados em um jogo justamente pela sua única característica marcante é ser um assassino, só matou quatro criaturas. Kratos é um homem mudado agora, ele tem uma nova família, um novo filho e ele parece estar em paz, que era o que ele mais buscava no primeiro jogo, o fim dos sonhos em que ele assassinava a primeira esposa e a primeira filha.

O resto do trailer é composto dele ensinando o filho como caçar, em vários momentos lembrando The Last of Us com cenas de calmaria na floresta entre Joel e a Ellie. O diretor, Cory Barlog (animador do primeiro GoW, diretor do segundo e diretor dos primeiros oito meses de desenvolvimento do terceiro, além de ter sido diretor das “cinemáticas” do reboot de Tomb Raider), já divulgou detalhes do jogo que ainda não tem data definida. Por exemplo, de acordo com ele, Kratos vai ser jogável o durante todo percurso do jogo, detalhe que me entristeceu porque eu gostaria que a sua morte simbolizasse a morte do que ele representa para a forma de arte como um todo.

Para minha alegria, mais detalhes foram dados por Barlog – não Balrog como eu escrevi as duas vezes. Ele comentou que “Kratos acredita que ser um deus é uma doença, que a raiva é um efeito colateral dessa doença e que ele teme ter passado isso para o seu filho” e que “esse jogo é sobre Kratos ensinar seu filho a ser um deus e o filho ensinar o pai a ser humano outra vez”, que são afirmações afirmações meio contraditórias, mas dá para entender. Esse jogo vai ser sobre o Kratos ensinando o filho-ainda-sem-nome-eu-acho-que-vai-ser-Siegfried, vai ser sobre a relação sobre os dois e de acordo com o diretor, vai ser uma experiência mais intimista.

Isso despertou muito meu interesse, mais até que a ideia de um reboot. Mostrar esse personagem mundialmente conhecido mudado tanto é corajoso e ver como ele amadureceu ao longo desses anos pode refletir um novo status quo dos video games. Tanto do lado bom, do amadurecimento, de ser menos violento e mais intimista, ser sobre a história e a relação dos personagens nela inseridos, de ser menos quadrado quadrado triangulo ad infinitum, quanto o lado negativo de como a paternidade é uma muleta emocional muito fácil para os jogos, vide o próprio The Last of Us, Telltale’s The Waking Dead, Bioshock Infinite, Dishonored e provavelmente outros. Não me entendam errado, funciona, eu fiquei emocionado a ver a Clementine, garotinha que eu através do Lee Everett eu “criei” aos 8 anos, se tornar uma adolescente badass matadora de zumbis no teaser da terceira temporada me deixou estranhamente emocionado. Ao mesmo tempo é um truque barato, porque é colocar esse personagem mais vulnerável que você para ser cuidado e que você acaba criando um forte laço emocional.

Eles ainda tem a oportunidade de cagar nisso tudo e eu tenho minhas dúvidas do talento por trás dos escritores da Santa Monica, mas eu estou mais animado do que eu jamais estive para um jogo da série. Que esse jogo seja uma road trip do Kratos Paizão ensinando o filho a ser um guerreiro honrado e que saiba se defender sem ser cruel e não só um checklist de quais deuses nórdicos vão ser brutalmente assassinados ao longo do percurso.

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