Minha história como jogador de video game – Remake 2016

Pessoas não costumam gostar de remakes. Pelo menos é o que elas dizem, mas vários filmes são mais famosos pelos suas versões novas do que pelos originais, como Scarface, Os Infiltrados, Por um Punhado de Dólares e Onze Homens e um Segredo. Até séries, como House of Cards e The Office, que são versões americanas de séries originalmente britânicas são releituras.

Então, ao reviver esse blog eu me lembrei que durante o ensino médio eu tive outro blog que não era focado em video games, mas qualquer coisa que viesse na minha cabeça, mas em um desses posts eu acabei descrevendo a minha história com a minha mídia/forma de entretenimento/arte favorita, os joguinhos. Isso foi escrito em 2011, então além de mais cinco anos de história que aconteceram de lá para cá, gosto de acreditar que eu sou uma pessoa mais competente com o uso das palavras do que eu era aos 16 anos. A versão original está aqui para quem aqui cometer o erro de ler isso – eu desisti na metade por questão de vergonha própria: Sério, não leiam. É triste.    Então, lá vamos nós…

 

Era uma vez, no longínquo passado do final dos anos 80, um Moço e uma Moça. Reza a lenda que eles se conheceram num comício político um tanto quanto… invertebrado, em que, de acordo com as minhas fontes, o Moço começou a falar com a Moça pedindo um cigarro mesmo sabendo que ela não fumava. Aparentemente deu certo, porque os dois começaram a namorar. O Moço se tornou próximo da Filha da Moça, como um segundo pai, que ajudava com os deveres de casa e que jogavam video game juntos – Mario e Castlevania no SNES estão entre esses jogos.

Anos passam e chegamos ao ano de 1994, quando um grande milagre acontece: Rei Leão. Melhor filme de todos os tempos. Sério, como a humanidade conseguiu produzir algo tão perfeito? Em acontecimentos menos importantes desse mesmo ano, o Moço e a Moça, já casados nesse ponto do tempo, tiveram seu primeiro filho, o infeliz que queria fazer esse texto menor que o de Uncharted, mas já gastou quase 400 palavras só pra chegar quando ele nasceu. Cara cuzão.

Eu obviamente não nasci jogando video game, talvez se eu tivesse, eu não seria tão ruim neles. Minha primeira memória jogando algo é com certeza pós-1999, época que já morávamos no Rio de Janeiro e o console da casa era o Nintendo 64. Algo particularmente estranho, porque o Nintendo 64 não foi um grande sucesso de console e que minha familia conseguiu não muito distante do seu lançamento. Eu fui atrás das pessoas envolvidas com a decisão de ter o N64, mas ninguém lembra de nada. Imagino que ele seja o resultado do entusiasmo do meu pai e da minha irmã com jogos eletrônicos naquela época.

Então minhas primeiras memórias são com Mario 64 e o que isso significa? Que, primeiro, eu comecei a jogar num ambiente em 3D – o que explica porque eu sou um péssimo jogador de jogos 2D – e em segundo lugar e mais importante: eu não tenho memória de ter jogado de forma consistente, durante a infância, jogos do Super Nintendo que é a grande referência nostálgica que as pessoas que eu conheço tem quanto a video games e infância. Também nunca tive nenhum console da Sega. E não gosto do Sonic, tanto como personagem quanto como jogos. Na real eu nem sei o nome ou a ordem de todos os consoles da Sega porque nunca foi relevante para a mim.

Era muito comum, por eu e meu irmão sermos muito pequenos, cerca de 6 e 2 anos respectivamente, meu pai jogar e a gente assistir e eventualmente jogar um pouco aqui e ali. Eu jogava bastante Mario, por ser relativamente mais simples e não requer conhecimentos muito grandes de inglês para uma criança que ainda nem sabia ler português direito. Mario 64 foi provavelmente o jogo que eu mais joguei no N64, mas nem de longe o que mais me marcou. Quem me conhece minimamente bem sabe qual jogo que literalmente mudou minha vida. The Legend of Zelda: Ocarina of Time.

Nós não tínhamos a fita de Ocarina of Time, então era uma tradição praticamente todo sábado ir na locadora alguns quarteirões de onde morávamos no Bairro Peixoto para alugar o jogo, o que torna o fato da minha família gostar muito de ir na praia aos domingo um hábito no mínimo irritante.

Eu poderia dizer o quão embasbacado eu fiquei a primeira vez que vi Hyrule Field, de forma sensacionalista e hiperbólica, mas a verdade é que eu não lembro de como foi a primeira vez que saímos das confusas florestas de Kokiri. O que eu me lembro é a sensação que eu tenho toda vez que eu volto para aquele campo aberto – hoje pequeno e vazio, mas na época impressionante pelo seu escopo -, que eu faço a caminhada com o jovem Link de sua vila até o bazar do Castelo de Hyrule, caminha que propositalmente dura o tempo o bastante para anoitecer com a ponte do castelo a vista, só para você poder ver ela se fechar ao crepúsculo e ter que passar uma do jogo inteiro ali, esperando e enfrentando os esqueletos que aparecem pelo mundo durante a noite.

Naquela leitura de Hyrule, eu, meu pai e meu irmão passamos despercebidos por guardas para encontrar a Princesa Zelda; nós escalamos a Death Moutain para conhecer os Gorons, liberamos trabalhadores do povo Gerudo que é composto só de mulheres e que só nasce um homem a cada século, nós fugimos do Long Long Ranch com a Epona em direção aos campos gramados de Hyrule Field. Lutamos contra incontáveis monstros, resolvemos diversos quebra cabeça e vencemos o mau com a qualidade que mais definia aquele personagem mudo e sem personalidade, não sua Sabedoria ou seu Poder, mas sua Coragem.

Ocarina of Time foi certamente o responsável pelo meu amor por jogos, foi naqueles planícies verdes, andando de cavalo ou rolando para ser alguns milissegundos mais rápido que eu percebi que eu podia fazer parte da aventura. Eu não precisava só assistir enquanto o jovem rei retomava o seu trono de direito de seu tio regicida maligno, eu podia participar daquilo e essa interatividade, essa imersão, esse poder de explorar e participar da história me fez me apaixonar por video games como poucas outras coisas na vida.

Como eu e meu irmão não sabíamos ler, meu pai ficava encarregado de fazer isso para nós e a gente passou anos chamando Hyrule de Hylure e Ganondorf de Gandofor – o que me leva a crer que meu pai possa ser levemente disléxico. Envergonho-me por até hoje não ter terminado Majora’s Mask, mesmo tendo muitas oportunidades. Ele é um jogo mais complexo do que seu antecessor, o que torna a missão de duas crianças não alfabetizadas e um adulto disléxico que não sabia inglês direito terminar ele em um fim de semana algo mais complicado. Mas eu tive diversas chances de jogar num emulador e tenho o jogo para o 3DS, 3DS esse em que eu termino Ocarina of Time pelo menos uma vez por ano como uma tradição autoimposta.

Talvez eu até devesse parar de escrever aqui, porque eu acho que esse ponto é o pináculo da história. Grandes coisas vem a seguir, sem dúvida, eu ainda acho que a geração PS360 é a melhor geração até agora por milhas de distância, mas nada mais me encantou da mesma forma, o que faz sentido, porque eu era uma criança, menos cética e mais pronta para aceitar e me deixar maravilhar pelo que é maravilhoso. É, eu vou terminar por aqui. Talvez eu faça uma continuação no futuro, falando de Final Fantasy VII, como o PS2 não me marcou muito, de que Bioshock Infinte, por algum motivo que ainda não é claro para mim, me fez decidir que eu quero trabalhar com jogos de uma forma ou de outra e como Dark Souls é o mais perto do senso de maravilha de Ocarina of Time que eu senti nos últimos anos.

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